TENOR JEAN WILLIAM SE PREPARA PARA O LANÇAMENTO DA SUA BIOGRAFIA - Juliana Rangel

TENOR JEAN WILLIAM SE PREPARA PARA O LANÇAMENTO DA SUA BIOGRAFIA

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Após cantar para o Papa Francisco em 2013 e ter participado de várias apresentações ao redor do mundo, o cantor terá livro mostrando um lado pouco conhecido da sua vida; confira entrevista exclusiva

Com a retomada de grandes shows e eventos, o Museu do Café, localizado em Santos, litoral de São Paulo, recebe o Tenor Jean William neste sábado, 9, dessa vez, com seu novo espetáculo intitulado como “Mi Tierra”. O evento que está sendo promovido pelo Monumento Nacional Ruínas Engenho São Jorge dos Erasmos, traz um repertório dedicado a danças de salão, como bolero, tango, rumba e salsa. Além desses, a apresentação deve contar com outros ritmos originários da cultura negra latino-americana.

Ao total, serão três apresentações em cidades distintas com esse novo projeto, começando por Santos, cidade onde o cantor reside atualmente. Jundiaí e Ribeirão Preto, que fica a 40 km de distância de sua cidade natal, Barrinha.

Outra novidade que vem vindo por aí, é o lançamento do seu primeiro ensaio biográfico, “O Resumo da Ópera”, lançado pela Editora Letramento, e que segundo o escritor e jornalista Elcio Padovez, trará um lado pouco conhecido sobre a vida de Jean William.

Jean William fala dos seus projetos pós-pandemia e até de preconceito que já enfrentou no começo da carreira

“Apesar do Jean ser uma pessoa relativamente conhecida, existe um certo desencontro de informações sobre a sua trajetória. Neste livro, fizemos um levantamento inédito, com mais de 50 pessoas, para contarmos sobre a vida do tenor. É algo inédito na carreira dele e com toda certeza, vocês podem esperar por um livro muito bacana, cheio de pessoas legais e claro, por um outro lado dele, que até mesmo eu não conhecia”, comenta o escritor.

Em resumo, o livro narra a trajetória (o lado bom, o ruim, de vitórias e de derrotas) do tenor até os dias atuais. Depoimentos de pessoas importantes que tiveram contato com o cantor, como por exemplo, Mônica Bergamo e Ronnie Von, falam sobre a importância de Jean William, não só como tenor, mas também como uma pessoa que lutou com o estereótipo da música clássica e conseguiu vencer na vida devido ao seu talento.

O cantor, que já se apresentou para o Papa Francisco, nasceu em Barrinha, no interior de São Paulo e foi criado de forma bem humilde pelos seus avós, onde desde muito cedo começou a ter os primeiros contatos com a música, já que os dois eram super afinados e seu avô, em especial, tocava alguns instrumentos.

Sempre demostrou aptidão pela música, dando seus primeiros passos no coral da igreja que frequentava e, posteriormente, formando uma banda de rock com alguns colegas, ainda na adolescência. Para falar um pouco mais sobre sua trajetória, seus novos projetos e de como está sendo essa retomada, o portal teve um papo superbacana com o tenor Jean William e com o autor de seu livro.

Confira a entrevista:

Vitor Neves (Juliana Rangel Comunicação): Como surgiu esse seu interesse pela música?

Tenor Jean William: Olha, eu costumo falar que na verdade, esse interesse não surgiu, ele foi um acidente! Quando morava em Barrinha, eu tinha uma banda de rock e cantava música popular. Num certo dia, participei de um concurso na escola onde a premiação era uma bolsa de estudos para fazer aulas de canto.

No meu primeiro dia, eu disse para a professora que tinha uma banda de rock e ela me disse que não sabia nada sobre, pois era professora de canto lírico… bom eu disse que sabia imitar o Pavarotti! Ela achou isso muito ousado da minha parte e assim eu comecei a cantar, inventando as palavras em italiano.

A professora me falou que aquilo não era uma imitação, que aquela era a minha voz e a partir dali a gente começou a trabalhar minha técnica vocal. Eu comecei a me interessar por esse repertório, pelo estilo de música e assim fui crescendo. A partir disso, eu comecei realmente a acreditar que eu podia ter uma carreira, inclusive nesse segmento.

Vitor Neves: Poxa, que bacana! E como foi esse começo da sua carreira?

Jean William: Olha, uma das coisas que mais marcou a minha trajetória, principalmente no começo, foram as oportunidades que eu tive. Um mês depois de ter finalizado as aulas, eu cantei em um simpósio de educação. No local, uma professora ficou muito emocionada em ver o meu talento e resolveu investir em mim. Ela se chama Júlia e isso acabou me ajudando muito.

Depois eu ingressei na USP, fui estudar no Departamento de Música. Quando estava me formando, fiz uma audição para o Maestro João Carlos Martins e ele me deu a primeira grande oportunidade profissional.

O que resume esse meu começo, esse princípio, foi o meu talento e claro, a minha formação, dedicação, disciplina e entrega real ao que eu estava disposto a seguir como profissão. Tudo isso aliado com as oportunidades de pessoas que, inclusive, investiram dinheiro mesmo, pagando cursos, viagens, festivais, enfim, muita gente que realmente acreditou nesse talento. Eu sou o resultado do bom networking e da criação de oportunidades.

Vitor Neves: No começo, você sofreu algum tipo de preconceito no meio musical? E hoje, como é?

Jean William: Cara, quando eu frequentava bastante festivais de música, uma professora falou para mim que eu não deveria cantar ópera, porque não existiam príncipes negros, que aquilo não era para mim, então sim, eu enfrentei desde cedo esse preconceito.

Muitas pessoas faziam “piadas” do tipo: “aí, um tenor preto” ou “preto cantando em italiano”, coisas que infelizmente, a gente sempre acaba ouvindo. Hoje eu tenho voz para combater esse tipo de coisa.

Inclusive, outra vez eu estava vendo uma entrevista da Glória Maria, se não me engano, e uma declaração da Thais Araújo, dizendo que ninguém está livre do racismo. Mas hoje, obviamente por ter um pouco mais de espaço, um pouco mais de visibilidade, graças a Deus eu tenho a possibilidade de combater esse preconceito. Sempre que alguma situação dessas acontece a mim, eu tenho essa capacidade de combater. Isso já é muito importante.

Vitor Neves: Me conta uma coisa, você saiu de uma cidade pequena, no interior de São Paulo. Como é ter ganhado espaço e ter viajado o mundo por causa do seu talento?

Jean William: Eu sempre digo uma coisa: nós nunca podemos esquecer do lugar de onde a gente aprendeu a olhar para o céu. Eu era um menino que cantava em cima do telhado de casa. Eu cantava o que eu gostava, cantava porque aquilo me trazia alegria, satisfação, plenitude como ser humano. Hoje, poder fazer disso a minha profissão e levar esse talento, essa minha alma para apreciação de tantas pessoas é muito gratificante.

Apesar de satisfatório, eu também acredito que isso é um grande manifesto, quer dizer, um homem negro, de uma cidade pequena, que vai viver da música, da cultura, da arte e acaba sendo uma pessoa bem sucedida, é de certa forma um manifesto político no sentido da criação de oportunidades, de investimentos, de acreditar na educação, acreditar na transformação através da arte. Isso certamente fortifica bons frutos!

Vitor Neves: Me fala quais foram os lugares que você já passou nesses anos de carreira. Você tem um carinho especial por algum desses locais?

Jean William: Eu já passei por onze países. A Itália, por exemplo, é um país que tenho muita afetividade, tenho muitos amigos, do tipo irmãos mesmo, principalmente em Milão. Já cantei nos Estados Unidos, no Lincoln Center, que é um dos palcos mais importantes do mundo. Cantei em Mônaco, para o príncipe Alberto II, na Índia, nos Emirados Árabes, Canadá, Argentina, Portugal, Suíça, em vários lugares.

Todos esses locais eu possuo um grande carinho, acho que a oportunidade de ter uma conexão com novas culturas é enriquecedora, mas certamente, ter cantado no Lincoln Center, em Nova Iorque, foi incrível. A sua exuberância, o seu palco, que recebeu diversas pessoas que eu admiro, que servira como exemplo para eu ser quem eu sou… Nossa, eu tenho um carinho muito especial e espero que em breve eu volte para Nova Iorque, para o Lincoln Center.

Vitor Neves: Que incrível. E na pandemia, como foi para você ter ficado longe dos palcos?

Jean William: Na verdade, quando a pandemia estourou, um dia antes de tudo fechar, eu tinha feito um show em Belo Horizonte, com a Fafá de Belém. Fiquei os primeiros cinco meses suspenso e meio assim, né? Foi muito assustador, mas graças ao maestro João Carlos Martins e ao SESI, começamos a promover lives, no Centro Cultural da Fiesp.

Eu não fiquei muito tempo longe do palco por isso, mas longe do público, isso sim eu fiquei. Cortou o meu coração!

Vitor Neves: Agora que as coisas estão voltando ao normal e você está reencontrando o seu público, como está sendo tudo isso?

Jean William: Nossa, é muito agradável o encontro que a gente tem tido. Desde o meio do ano passado, eu já fiz quatro apresentações com público, em um projeto chamado Voz e Violão. Além disso, participei de apresentações com o maestro João Carlos Martins, com alguns outros grupos também e estou percebendo como o público está saudoso de interagir, de aplaudir, de se emocionar… é  muito gratificante.

Vitor Neves: Quais são os seus próximos shows? Vi que você vai passar por Ribeirão…

Jean William: Olha, eu tenho um show na cidade de Santos, neste fim de semana, que é um projeto que eu tinha o desejo de fazer há muitos anos e finalmente consegui. Depois eu já tenho na sequência uma outra, “O Barbeiro de Sevilha”, que é uma montagem para crianças, na sala São Paulo. Tenho uma apresentação com o maestro João Carlos Martins, enfim, inúmeros eventos.

Em relação a Ribeirão Preto, eu passo ainda este ano, provavelmente duas vezes. Uma com o “Mi Tierra”, que eu estreio amanhã e depois, com uma apresentação exclusiva para o interior, com a ajuda de um pianista muito famoso, que eu não posso falar o nome neste momento. [risos]

Jean William e o jornalista e escritor Elcio Padovez, que escreveu o livro sobre a história do tenor

Vitor Neves: Bom, então me conta sobre esse livro que está prestes a entrar em pré-venda. Como surgiu a ideia, Elcio?

Elcio Padovez: Nós não podíamos falar antes, mas sim, ainda este mês o livro sobre a vida do Jean William entra em pré-venda.

Eu e o Jean trabalhamos juntos em um outro momento da vida, eu já fui assessor dele e estava participando de um concurso literário voltado para reportagens e biografias. Por conhecer ele há cerca de dez anos e já termos um contato, a ideia veio na minha mente.

A produção do livro começou em 2019, antes da pandemia, e nesses três anos eu conversei com mais de cinquenta pessoas, tanto das regiões de Ribeirão Preto, Sertãozinho, Barrinha, São Paulo e até mesmo fora do Brasil, com gente que tem contato com ele. Nesse tempo todo, eu consegui fazer um levantamento inédito, algo que não havia sido feito, sobre a carreira dele. Apesar de ser uma pessoa bem conhecida, o Jean não tem uma história bem contada, existia uma serie de desencontro e de informações.

Vitor Neves: Que legal! E como foi trabalhar com o tenor?

Elcio Padovez: Nossa, foi muito bacana! Eu acabei descobrindo um outro Jean, na verdade, conforme eu me aproximei da vida dele, percebi que estava no caminho certo em escrever essa história, pois no começo eu tinha algumas dúvidas sobre.

Desde o começo eu quis fazer algo bem feito, algo crítico e que não fosse chapa branca. Eu já possuo um nome bem sólido no mercado e eu falei para ele “olha, eu não quero ser a pessoa que vai escrever mil maravilhas e falar que é tudo perfeito. Eu quero mostrar todos os lados da sua vida”.

Esse livro chega em um momento oportuno para a carreira dele, pois ele está ganhando cada vez mais espaço, não só como tenor, mas sim como artista.

Vitor Neves: O que podemos esperar do livro?

Elcio Padovez: De tudo! Eu consegui reunir toda a trajetória dele, até os 36 anos. Vocês vão ler sobre o surgimento dele, sobre a infância no interior, sobre o seu desenvolvimento e alguns aspectos negativos, como por exemplo, a sua depressão e tentativa de suicídio. Ele permeia por toda a vida do Jean, sempre com um depoimento. Muita gente bacana falou no livro: Mônica Bergamo, Ronnie Von, Paulo Skaf… uma série de pessoas importantes.

Vitor Neves: Que show! E quando será o lançamento?

Elcio Padovez: O processo vai ser dividido em duas partes, uma pré-venda no dia 14, próxima quinta-feira, no site da editora. Essa parte deve durar até o dia 25 de maio. Em sequência, o livro começa a rodar nas principais livrarias do país.

A partir de junho, pretendemos fazer o lançamento presencial em diversos lugares do país. É muito provável que iremos passar por Ribeirão Preto, Sertãozinho e Barrinha, claro, sempre com a presença do Jean.