Apenas 47% dos brasileiros são leitores; hábito na infância favorece o desenvolvimento cognitivo e emocional - Juliana Rangel

Apenas 47% dos brasileiros são leitores; hábito na infância favorece o desenvolvimento cognitivo e emocional

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Psicóloga da Hapvida explica como o contato com livros estimula a imaginação, a compreensão das emoções e os vínculos familiares, além de orientar sobre o incentivo à leitura desde cedo

A leitura é um dos principais caminhos para o conhecimento, a autonomia e o desenvolvimento humano. No entanto, os dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2024, realizada pelo Instituto Pró-Livro em parceria com o IPEC, revelam que apenas 47% da população brasileira com 5 anos ou mais pode ser considerada leitora. Diante desse cenário, o incentivo ao hábito de ler desde a infância ganha ainda mais relevância.

O contato com os livros desde cedo ajuda a despertar a curiosidade e a criar uma relação prazerosa com a leitura, avalia psicóloga (Crédito Magnific)

Para a psicóloga da Hapvida, Michelle Costa, a leitura funciona como uma ferramenta de estímulo cognitivo e emocional, especialmente durante a primeira infância, fase que ela descreve como marcada por intensas descobertas e pelo desenvolvimento de novas habilidades.

“Quando a criança entra em contato com uma história, não está apenas ouvindo ou lendo palavras. Ela começa a construir imagens na própria mente, imaginar cenários, interpretar os acontecimentos e criar a sua versão daquela narrativa. Esse exercício estimula a criatividade e permite que cada criança desenvolva uma maneira própria de compreender o que está sendo contado”, explica a especialista.

Estudos sobre o desenvolvimento infantil também confirmam os benefícios do contato precoce com os livros. Uma pesquisa publicada na American National Library of Medicine aponta que a leitura em voz alta durante a primeira infância estimula áreas cerebrais relacionadas à linguagem, à memória e à atenção. Crianças que têm contato frequente com livros também tendem a apresentar melhores resultados em habilidades de alfabetização e vocabulário.

Mas os benefícios vão além do aprendizado. De acordo com o relatório Reading for Pleasure, do National Literacy Trust, do Reino Unido, crianças que leem por prazer apresentam níveis mais elevados de bem-estar emocional e maior capacidade de lidar com desafios sociais. Ao conhecer personagens, culturas e realidades diferentes, elas também são incentivadas a compreender sentimentos e respeitar outras formas de viver.

Leitura e lazer
Em uma rotina cada vez mais marcada pelo uso de telas e pelo consumo rápido de informações, reservar um tempo para a leitura também é uma forma de estimular a reflexão e a concentração. Michelle aponta que, diferente de conteúdos apresentados de maneira pronta, os livros convidam a criança a imaginar, interpretar e construir significados a partir das palavras.

“Quando estamos lendo uma história, a imaginação é estimulada e a nossa mente precisa trabalhar para transformar aquelas palavras em imagens e situações. A criança pode sentir alegria, tristeza, curiosidade ou até ficar angustiada com algum acontecimento. É uma experiência que permite pensar sobre o que está sendo contado e compreender melhor as próprias emoções”, afirma Michelle.

A psicóloga da Hapvida ressalta que a leitura compartilhada pode fortalecer a relação entre adultos e crianças. Pais, mães e responsáveis podem transformar esse momento em uma oportunidade de diálogo, fazendo perguntas sobre a história, incentivando a criança a expressar o que sentiu e respeitando suas interpretações.

Além disso, a profissional recomenda que a leitura seja incorporada à rotina de maneira leve, sem cobranças ou imposições. Ler antes de dormir, durante uma tarde tranquila em família ou em outros momentos de descanso são alternativas para associar os livros a uma experiência prazerosa.

Ela ainda reforça que a utilização de vozes diferentes para representar os personagens, mudanças de entonação e pausas para conversar sobre os acontecimentos são estratégias simples que tornam a experiência mais envolvente e estimulam a participação infantil.

Por fim, não é necessário restringir o hábito aos livros impressos. “Embora a experiência de manusear as páginas possa tornar o contato com a leitura mais atrativo para algumas pessoas, os livros digitais também são uma possibilidade para se aproximar das histórias. Mais importante do que o formato é a regularidade do contato com a leitura e o incentivo dos adultos, que podem despertar o interesse infantil ao compartilhar histórias, apresentar diferentes gêneros e permitir que os pequenos escolham os livros de acordo com suas curiosidades”, pontua Michelle.

Juliana Rangel
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