Novembro Azul reforça importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata em Ribeirão Preto - Juliana Rangel

Novembro Azul reforça importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata em Ribeirão Preto

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Levantamento municipal aponta que a doença foi a segunda neoplasia com maior mortalidade entre os homens na última década; 96% dos óbitos ocorreram a partir dos 60 anos

A campanha Novembro Azul amplia a conscientização sobre os fatores de risco do câncer de próstata e os cuidados com a saúde masculina | Crédito: Magnific

O câncer de próstata pode se desenvolver sem apresentar sintomas nas fases iniciais, um dos desafios para o diagnóstico precoce da doença. A característica reforça a importância do Novembro Azul, campanha que amplia a conscientização sobre os fatores de risco e os cuidados com a saúde masculina. Em Ribeirão Preto, dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam 538 óbitos pela neoplasia entre 2016 e 2025.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima quase 78 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, número aproximadamente 9% superior à projeção anterior. Desconsiderados os tumores de pele não melanoma, a doença é a mais incidente entre os homens no país.

“A idade é um dos principais fatores de risco, especialmente a partir dos 60 anos. O histórico familiar também merece atenção, sobretudo quando há casos entre parentes próximos, como pai ou irmãos, diagnosticados precocemente. Sobrepeso e obesidade estão associados a formas mais agressivas da doença, o que reforça a importância de considerar as condições individuais de cada paciente”, explica o oncologista Carlos Fruet.

Apesar de poder evoluir silenciosamente, o tumor pode provocar alterações urinárias, como dificuldade para esvaziar a bexiga, enfraquecimento do jato, aumento da frequência das idas ao banheiro e presença de sangue na urina. Esses sinais não são exclusivos do câncer, mas merecem investigação médica.

A avaliação pode envolver exames como o PSA, realizado por meio de coleta de sangue, e o toque retal. Conforme os resultados, o médico pode solicitar procedimentos complementares, incluindo exames de imagem e, quando indicada, biópsia para confirmação do diagnóstico.

“Um resultado alterado no PSA não significa necessariamente a presença de câncer. Outras condições, como o aumento benigno da próstata e processos inflamatórios, também podem elevar seus níveis. Por isso, esse exame precisa ser interpretado em conjunto com outras informações clínicas, evitando conclusões precipitadas”, esclarece Fruet.

A adoção de hábitos saudáveis, como manter o peso adequado, praticar atividade física regularmente e ter uma alimentação equilibrada, contribui para a saúde geral, embora não elimine a possibilidade de desenvolver a doença. Na ausência de sintomas, a realização de exames de rastreamento deve ser discutida individualmente com o médico, considerando benefícios e possíveis riscos.

“Ainda existe resistência de parte dos homens em procurar atendimento, muitas vezes por questões culturais ou pela ausência de queixas. Precisamos mudar essa percepção de que só é necessário buscar um profissional quando algo está errado. O câncer de próstata, quando identificado em estágios iniciais, apresenta elevadas chances de cura, e essa é uma mensagem importante do Novembro Azul”, destaca Fruet.

Juliana Rangel
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