NORA HANNA ABRE O CORAÇÃO SOBRE CARREIRA, FAMÍLIA E OS 38 ANOS DE SUCESSO DO ROD HANNA
Compartilhe:Nora Hanna da banda Rod Hanna relembra os desafios de quase quatro décadas de carreira, fala sobre família, maternidade, empreendedorismo e revela como transformou um sonho improvável em uma trajetória de sucesso que atravessa gerações.
Com 38 anos de carreira no Rod Hanna, Nora Hanna, que fundou a banda ao lado do marido Rodrigo Laguna, construiu uma trajetória marcada por reinvenção, persistência e paixão pela música.

Entrevista com Nora Hanna | Foto: reprodução YouTube Juliana Rangel News
Reconhecida pela energia contagiante nos palcos, Nora transformou o Rod Hanna em uma das bandas mais requisitadas do país, com um repertório voltado para a disco music e os grandes sucessos dos anos 70 e 80. Recentemente, o grupo foi escolhido para animar a comemoração dos 50 anos da apresentadora Ticiane Pinheiro, em São Paulo. A festa reuniu cerca de 300 convidados em uma celebração luxuosa inspirada nos anos 80, reforçando a ligação da banda com o universo retrô que a consagrou nacionalmente.

Ticiane Pinheiro e César Tralli celebram os 50 anos da apresentadora ao som da banda Rod Hanna | Foto: Reprodução Instagram @ticipinheiro
No podcast Pode Mulher, conduzido pela jornalista Juliana Rangel, Nora compartilhou detalhes da sua trajetória profissional, relembrou os desafios enfrentados ao longo dos anos, falou sobre casamento, maternidade e revelou os bastidores da construção de uma carreira que segue conquistando novos públicos.
Confira os principais trechos da entrevista:
Juliana Rangel: Nora, você sempre soube que queria trabalhar com música?
Nora Hanna: Desde criança eu amava música, mas nunca imaginei que viveria disso. Eu vinha de uma família de funcionários públicos e tinha certeza de que prestaria concurso público. Sonhava com estabilidade. A música foi me levando para outro caminho e, quando percebi, ela já tinha escolhido a mim.
Juliana Rangel: Como surgiu o Rod Hanna?
Nora Hanna: Eu e o Rodrigo nos conhecemos aos 16 anos. Um ano depois fizemos um teste para cantar em um bar e passamos. Tínhamos ensaiado apenas três músicas. O dono falou que começaríamos na semana seguinte tocando das 21h às 02h. Foi tudo acontecendo naturalmente. A música foi conduzindo a nossa história.
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Juliana Rangel: No começo vocês tocavam em formato de baile?
Nora Hanna: Sim. A gente começou tocando cinco horas por noite, como baile mesmo. Depois percebemos que as músicas disco tinham uma resposta muito forte do público. Foi aí que começamos a direcionar o repertório para esse estilo.
Juliana Rangel: Em algum momento foi difícil mudar esse formato de baile para show?
Nora Hanna: Foi bem difícil. Os clubes não entendiam como a gente ia parar de tocar cinco horas. Mas a gente bateu o pé. Queríamos um espetáculo de 1h30, com identidade, figurino, performance. Isso foi um divisor de águas para a banda.
Juliana Rangel: Vocês imaginavam que a banda chegaria tão longe?
Nora Hanna: Nunca. Quando começamos, era apenas uma forma de ganhar a vida. Depois vieram os filhos, as contas para pagar e fomos construindo tudo passo a passo. Hoje, quando olho para trás e vejo 38 anos de carreira, ainda me surpreendo.
Juliana Rangel: Em algum momento você pensou em desistir?
Nora Hanna: Algumas vezes. A primeira foi perto dos 30 anos. Eu cheguei a fazer faculdade de Letras porque pensava em seguir outro caminho profissional. Mas foi justamente nessa época que o Fantástico fez uma matéria sobre a banda. Aquilo mudou tudo e mostrou que eu estava no lugar certo.
Juliana Rangel: E durante a pandemia?
Nora Hanna: Foi um dos momentos mais difíceis da nossa carreira. Eu realmente achei que grandes eventos e festas não voltariam a existir. Tivemos que pensar em alternativas porque ninguém sabia o que aconteceria. Foi um período de muita incerteza para todos que trabalham com entretenimento.
Juliana Rangel: Qual foi o diferencial do Rod Hanna para permanecer relevante durante tanto tempo
Nora Hanna: A gente encontrou uma identidade. Desde o início percebemos que as músicas disco e os sucessos dos anos 70 e 80 despertavam emoções nas pessoas. Decidimos investir nisso e criar uma marca própria. Acho que a longevidade vem dessa autenticidade.
Juliana Rangel: Você sempre foi muito comunicativa?
Nora Hanna: Pelo contrário. Eu era extremamente tímida. No começo cantava olhando para baixo. Aos poucos fui ganhando confiança através da troca com o público. O palco me transformou. Ver as pessoas cantando junto e sorrindo me ajudou a vencer essa timidez.
Juliana Rangel: Você e Rodrigo estão juntos há quase quatro décadas. Como é trabalhar e viver ao lado da mesma pessoa?
Nora Hanna: Não é simples, mas funciona para nós. Temos 39 anos de relacionamento e 38 anos de carreira juntos. Ao longo do tempo aprendemos a respeitar os espaços um do outro. Hoje cada um tem áreas específicas de atuação dentro da banda e isso ajuda muito.
Juliana Rangel: Como foi conciliar maternidade e carreira?
Nora Hanna: Foi um desafio enorme. Tive meu primeiro filho aos 18 anos e ainda estava construindo minha carreira. Viajava muito e meus pais me ajudaram bastante. Já com o Lucas, meu caçula, tive uma experiência completamente diferente. Eu já tinha maturidade, uma carreira consolidada e pude viver a maternidade de forma mais presente.
Juliana Rangel: Você criou seus filhos para serem independentes?
Nora Hanna: Sempre. Nunca escolhi profissão para eles. Queria que encontrassem seus próprios caminhos. O mais velho seguiu carreira pública e mora em Brasília. O outro é da área de tecnologia e vive em Portugal. Os dois são muito independentes e isso me deixa feliz.
Juliana Rangel: Seus filhos nunca quiseram seguir carreira musical?
Nora Hanna: Eles são musicais e tocam instrumentos, mas nunca quiseram trabalhar profissionalmente com música. Acho que acompanharam de perto todos os desafios da nossa trajetória e escolheram outros caminhos.
Juliana Rangel: Como você vê a evolução da tecnologia e das redes sociais na carreira artística?
Nora Hanna: Mudou tudo. Hoje conseguimos alcançar cidades que jamais imaginávamos. Muitas pessoas passaram a conhecer o Rod Hanna através das redes sociais. Isso abriu portas no Brasil inteiro.
Juliana Rangel: Você já enfrentou preconceito por ser mulher no meio artístico?
Nora Hanna: Sim. É um ambiente predominantemente masculino e existem muitos julgamentos. No início da carreira era comum as pessoas confundirem as coisas ou fazerem abordagens inadequadas. Além disso, meu próprio pai tinha receio da profissão artística para uma mulher. Depois ele se tornou um dos meus maiores incentivadores.
Juliana Rangel: O que ainda falta conquistar?
Nora Hanna: Eu procuro olhar mais para tudo que já conquistei do que para o que falta. Mas um sonho antigo era levar nossa música para todo o Brasil. E isso está acontecendo agora. Estamos chegando a lugares onde nunca tínhamos tocado antes, e isso me deixa muito feliz.
Juliana Rangel: E existe plano de aposentadoria?
Nora Hanna: Não. Eu gosto de trabalhar. Talvez um dia eu diminua o ritmo, mas não consigo me imaginar parada. A música faz parte da minha vida e acredito que continuar ativa é importante para manter a mente funcionando.
Ao final da entrevista, Nora reforçou sua gratidão pelo público que acompanha a banda há décadas e destacou que a longevidade do Rod Hanna é resultado de muito trabalho, dedicação e amor pelo que faz.
“Eu nunca imaginei que estaria fazendo isso até hoje. Sou muito grata por ainda subir ao palco, cantar e ver tantas pessoas felizes. É isso que me move.”, concluiu.