Digão dos Raimundos fala sobre carreira solo e abre o jogo sobre relação com Rodolfo
Compartilhe:Guitarrista e vocalista dos Raimundos comenta as diferenças entre os shows solo e a banda e fala sobre a retomada da amizade com Rodolfo Abrantes
Conhecido por liderar uma das bandas mais importantes do rock nacional, Digão segue conciliando a rotina dos Raimundos com projetos paralelos. Durante passagem por Ribeirão Preto, o músico falou sobre seu trabalho solo, comentou as transformações do mercado musical e refletiu sobre diferentes momentos da carreira.
Digão, nome artístico de Rodrigo Aguiar Madeira Campos, é músico, guitarrista e vocalista dos Raimundos. Fundou o grupo em 1987 ao lado de Rodolfo Abrantes, que foi vocalista da banda até 2001, quando deixou o projeto após uma mudança de vida ligada à religião. Apesar do afastamento artístico por muitos anos, os dois retomaram a amizade recentemente.

A jornalista Juliana Rangel em entrevista exclusiva com Digão, dos Raimundos | Foto: Reprodução/YouTube
Em entrevista ao canal Juliana Rangel News, Digão compartilhou histórias da carreira, refletiu sobre a evolução dos Raimundos ao longo das décadas e comentou a possibilidade de uma futura colaboração com Rodolfo.
Confira a entrevista:
Juliana Rangel: Digão, você já pode ser considerado quase um ribeirão-pretano, né?
Digão: Desde o primeiro disco dos Raimundos eu venho para Ribeirão Preto. De cara já fiz grandes amigos aqui. Posso me considerar um ribeirão-pretano, sim.
Juliana Rangel: Além dos shows com os Raimundos, você também tem se apresentado com seu projeto solo. Como funciona essa proposta?
Digão: Meu show solo é uma diversão. É um espaço para tocar as bandas que me influenciaram, as músicas que me fizeram ser quem eu sou. Isso me faz muito bem musicalmente. Quando você toca apenas as músicas da sua banda, acaba limitando um pouco o crescimento. Nesse projeto eu me divirto, fico mais próximo do público e isso acaba ajudando até nos shows dos Raimundos.
Juliana Rangel: Os Raimundos ficaram conhecidos por letras irreverentes e provocativas. Como você enxerga essas músicas hoje?
Digão: Muita gente fala disso. Se aquelas músicas fossem lançadas hoje pela primeira vez, provavelmente seríamos bastante cancelados. Mas elas fazem parte de uma época. Existe uma evolução natural sem perder a essência dos Raimundos.
Juliana Rangel: Em 2020 vocês voltaram a se aproximar. Existe a possibilidade de uma parceria com Rodolfo no futuro?
Digão: A amizade voltou. Nós nos reencontramos, conversamos bastante, passamos um tempo juntos. Inclusive mandei uma música para ele ouvir. Mas estou respeitando o tempo dele. A porta está aberta. Se tiver que acontecer, vai acontecer. Se não acontecer, está tudo bem também.
Juliana Rangel: O mercado musical mudou completamente desde o início da carreira dos Raimundos. Como você avalia essa transformação?
Digão: A tecnologia ajudou muito, mas também trouxe desafios. Antigamente existia uma espécie de filtro natural. Só permanecia quem realmente estava disposto a enfrentar todas as dificuldades da profissão. Hoje muita gente acredita que basta colocar uma música na internet para o sucesso acontecer. Mas a música precisa tocar as pessoas. Precisa despertar alguma emoção.
Juliana Rangel: As redes sociais facilitaram a vida dos artistas?
Digão: Facilitam a divulgação, sem dúvida. Mas sucesso não se mede apenas por visualizações. Tem artista com milhões de views que não consegue levar público para os shows. O mais importante continua sendo a conexão que a música cria com as pessoas.
Ao final da entrevista, Digão reforçou a importância da conexão com o público e da trajetória construída ao longo dos anos com os Raimundos.
“Estou muito feliz com o que estamos fazendo. Faz tempo que eu não me sentia tão empolgado com a banda. Tenho certeza de que vem coisa muito boa por aí”, concluiu.

Show em Ribeirão Preto com Digão dos Raimundos | Foto: Reprodução