“Adotei meu filho no Malawi” – Patrícia Fernandes conta a história e fala dos desafios da adoção internacional - Juliana Rangel

“Adotei meu filho no Malawi” – Patrícia Fernandes conta a história e fala dos desafios da adoção internacional

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A influenciadora comenta sobre os desafios da infertilidade, a decisão pela adoção internacional e o impacto dessa jornada na maternidade

Patrícia Fernandes, criadora de conteúdo digital, relembra os bastidores de uma longa jornada até se tornar mãe do filho, Luís, adotado no Malawi. Após quase uma década de tentativas para engravidar e um intenso processo de fertilidade ao lado do ex-companheiro, Caio, ela decidiu seguir o caminho da adoção. Em 2023, tornou-se mãe de Luís, experiência que transformou completamente sua vida e sua forma de enxergar a maternidade.

Natural de Araguari (MG) e atualmente morando em Ribeirão Preto (SP), Patrícia já trabalhava como decoradora de eventos antes de se tornar influenciadora digital. Hoje, com mais de 1 milhão de seguidores, ela se consolidou como uma das principais vozes sobre adoção e maternidade real nas redes sociais, ao compartilhar de forma aberta os desafios, inseguranças e aprendizados dessa trajetória.

Durante sua participação no podcast PodeMulher, apresentado pela jornalista Juliana Rangel, Patrícia falou sobre infertilidade, o processo de adoção, o primeiro encontro com Luís, preconceito e a construção do vínculo materno.

Confira a entrevista:

Juliana Rangel: Patrícia, quando começou o seu desejo pela maternidade?

Patrícia Fernandes: Sempre quis ser mãe. Quando casei, isso já fazia parte dos meus planos. No início, tentamos engravidar naturalmente, mas não imaginávamos que seria uma jornada tão longa e difícil.

Juliana Rangel: Quando vocês descobriram que a gravidez seria um desafio?

Patrícia Fernandes: Descobrimos que o Caio, meu companheiro, era azoospérmico, o que impossibilitava a gravidez natural. A partir daí entendemos que precisaríamos buscar outros caminhos, como fertilização ou adoção.

ASSISTA A ENTREVISTA COMPLETA

Juliana Rangel: Quanto tempo durou essa busca até a maternidade?

Patrícia Fernandes: Foram cerca de oito ou nove anos no total. Foi um processo muito longo, com muitas tentativas, frustrações e recomeços.

Juliana Rangel: Em que momento a adoção passou a ser uma decisão?

Patrícia Fernandes: A adoção sempre esteve no nosso radar, mas ela ganhou força ao longo do tempo. Iniciamos o processo no Brasil e, aos poucos, ela foi se tornando uma possibilidade mais concreta dentro da nossa realidade.

Juliana Rangel: Como surgiu a adoção no Malawi?

Patrícia Fernandes: Eu conheci a história de uma adoção no Malawi por uma reportagem. A partir disso comecei a pesquisar e conversar com pessoas que já tinham passado por esse processo. Não foi uma escolha de descartar o Brasil, mas de ampliar possibilidades enquanto também estávamos na fila aqui.

Juliana Rangel: Por que muitas pessoas questionam a adoção internacional?

Patrícia Fernandes: Existe uma visão simplificada de que há muitas crianças disponíveis no Brasil, mas o processo é mais complexo. Em muitos casos, a prioridade é manter a criança na família de origem, o que torna o processo mais demorado.

Juliana Rangel: Você se lembra do momento em que soube que havia uma criança para você?

Patrícia Fernandes: Lembro perfeitamente. Quando me avisaram, eu não tinha foto nem muitos detalhes. Mas senti que precisava ir conhecê-lo. Foi um momento muito forte emocionalmente.

Juliana Rangel: Como foi o primeiro encontro com o Luís?

Patrícia Fernandes: Foi diferente do que eu imaginava. As pessoas romantizam muito esse momento, mas eu estava nervosa e ansiosa. Ele era muito pequeno, não sorria, e eu saí de lá confusa, sem aquela sensação imediata de amor à primeira vista.

Juliana Rangel: Isso te assustou?

Patrícia Fernandes: Sim. Eu achei que havia algo errado comigo. Mas outras mães me explicaram que o vínculo pode ser construído. Isso me trouxe muito alívio.

Juliana Rangel: Quando você sentiu que ele era seu filho?

Patrícia Fernandes: Quando voltei ao Brasil. Meu coração ficou lá. Eu senti uma saudade muito forte e entendi que o vínculo já existia, mesmo que ainda estivesse nascendo.

Juliana Rangel: Como foi o período em que vocês viveram no Malawi com o seu filho?

Patrícia Fernandes: Ficamos cerca de 65 dias com ele após a guarda provisória. Foi essencial para criar rotina e começar nossa vida como família.

Juliana Rangel: Como a maternidade mudou sua vida?

Patrícia Fernandes: Mudou tudo. O primeiro ano foi totalmente dedicado ao Luís. Eu me transformei como mulher e como mãe. Hoje estou em um processo de redescoberta.

Juliana Rangel: Como você começou a compartilhar essa história nas redes sociais?

Patrícia Fernandes: Não foi planejado. Eu comecei a compartilhar de forma espontânea e percebi que aquilo ajudava outras pessoas. Minha história acabou virando apoio para outras famílias.

Juliana Rangel: Como vocês falam sobre adoção com o Luís?

Patrícia Fernandes: De forma natural. Nunca escondemos nada. A história dele é parte da identidade dele, e queremos que ele cresça entendendo isso com leveza.

Juliana Rangel: Você já sofreu preconceito?

Patrícia Fernandes: Sim, principalmente comentários racistas e julgamentos sobre adoção. Na internet recebo comentários maldosos. Às vezes ignoro, apago ou denuncio. Tem comentários sobre adoção, como “é filho do vizinho”. Tenho dó dessas pessoas, são vazias.

Juliana Rangel: O que mais te marca hoje?

Patrícia Fernandes: O lado bom é muito maior. Recebo relatos de pessoas que se inspiram, ou de filhos adotados que ficam felizes com a forma como criamos o Luiz.

Juliana Rangel: O que a maternidade te ensinou?

Patrícia Fernandes: Que amor não nasce pronto. Ele é construído.

Juliana Rangel: Você recebeu algum conselho importante nesse processo?

Patrícia Fernandes: Meu tio, que foi adotado, me deu um conselho: “Nunca minta, não esconda a verdade”. A mentira gera revolta. A história de origem dele pertence a ele.

Ao final da entrevista, Patrícia reforçou que sua história é, acima de tudo, sobre transformação e propósito.

“Se a minha experiência puder ajudar alguém a enxergar a adoção com mais amor e menos medo, tudo valeu a pena”, concluiu.