Perna grossa, dor e hematomas? Saiba quando esses sinais podem indicar lipedema - Juliana Rangel

Perna grossa, dor e hematomas? Saiba quando esses sinais podem indicar lipedema

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Angiologista e cirurgiã vascular Ellen Stocco explica os sintomas, o diagnóstico e os tratamentos do lipedema, além de esclarecer dúvidas sobre varizes e saúde vascular.

Dor nas pernas, sensação de peso, hematomas frequentes e dificuldade para reduzir a gordura localizada mesmo com alimentação saudável e prática de exercícios físicos podem ser sinais de uma doença que ainda é pouco conhecida por muitas mulheres: o lipedema. Crônica e progressiva, a condição afeta entre 10% e 18% da população feminina e, muitas vezes, é confundida com celulite, retenção de líquido ou excesso de peso.

Em entrevista ao podcast PodeMulher, apresentado pela jornalista Juliana Rangel, a angiologista e cirurgiã vascular Dra. Ellen Stocco, que atua há 30 anos na especialidade, explicou como identificar a doença, quais são os principais sintomas, os tratamentos disponíveis e esclareceu dúvidas sobre varizes, linfedema e os avanços da cirurgia vascular.

Confira a entrevista:

Juliana Rangel: Quando falamos em cirurgia vascular, muita gente pensa apenas em varizes e vasinhos. Mas existe também o lipedema, que tem sido cada vez mais comentado.

Dra. Ellen Stocco: Exatamente. A mulher costuma prestar muita atenção no rosto e nas pernas. Muitas pacientes chegam ao consultório magrinhas, mas com as pernas grossas e sem conseguir definir a musculatura, mesmo fazendo dieta e academia. Esse é um sinal importante e pode indicar lipedema.

Juliana Rangel: Muitas vezes pensamos apenas na estética, mas a saúde vem em primeiro lugar. O lipedema é considerado uma doença?

Dra. Ellen Stocco: Sim. Tanto o lipedema quanto as varizes são doenças crônicas e progressivas. Precisam ser tratadas e nunca devem ser subestimadas.

Juliana Rangel: O que exatamente é o lipedema?

Dra. Ellen Stocco: É uma doença caracterizada pelo acúmulo de gordura dolorosa, principalmente nas pernas, de forma bilateral, preservando os pés. Muitas mulheres acreditam que estão apenas cansadas ou que o problema está relacionado ao período menstrual, mas não é isso. Hoje sabemos que entre 10% e 18% das mulheres apresentam lipedema. Assim como acontece com o diabetes, não existe cura, mas existe controle.

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Juliana Rangel: Como a mulher consegue identificar a doença logo no começo?

Dra. Ellen Stocco: Os primeiros sinais costumam ser o inchaço no final do dia e a desproporção entre a quantidade de gordura e a musculatura das pernas.

Juliana Rangel: Isso pode ser confundido com celulite?

Dra. Ellen Stocco: Pode, mas existe uma diferença importante. No lipedema a gordura é dolorosa, mais endurecida, chamada de gordura fibrótica. Além disso, aparecem hematomas espontaneamente por causa da fragilidade dos capilares.

Juliana Rangel: O que pode ser feito em casa e quais tratamentos são realizados no consultório?

Dra. Ellen Stocco: Em casa, o mais importante é manter uma alimentação baseada em alimentos naturais, evitar embutidos, conservas e produtos industrializados, além de investir em hidratação e atividade física. No consultório utilizamos medicamentos que estimulam a drenagem do sistema linfático e venoso, ajudando a reduzir o inchaço e aliviar a dor.

Juliana Rangel: Nos últimos anos o assunto ganhou muita visibilidade. O que mudou?

Dra. Ellen Stocco: Hoje sabemos que existe um componente genético importante. Além disso, a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular passou a reconhecer oficialmente a doença. Durante muito tempo, muitas mulheres ouviam que aquilo era apenas estética ou até frescura. Felizmente, isso mudou e hoje conseguimos fazer um diagnóstico muito mais precoce.

Juliana Rangel: Quando a cirurgia passa a ser indicada?

Dra. Ellen Stocco: A maior parte das pacientes responde muito bem ao tratamento clínico. Quando a doença já está em estágios mais avançados, principalmente entre os estágios dois e cinco, e a mulher está muito incomodada com a qualidade de vida ou com a própria imagem, existe a possibilidade da cirurgia com o cirurgião plástico para retirar essa gordura e remodelar a perna. Mas não é a primeira indicação. Sempre buscamos controlar a doença clinicamente.

Juliana Rangel: E quando a paciente também apresenta varizes?

Dra. Ellen Stocco: Nós tratamos primeiro as varizes. Depois avaliamos a necessidade de outros procedimentos. Cada caso precisa ser individualizado.

Juliana Rangel: Muita gente também confunde lipedema com linfedema.

Dra. Ellen Stocco: São doenças completamente diferentes. O linfedema acontece por uma falha no sistema linfático, normalmente aparece de forma assimétrica e costuma atingir os pés. Já o lipedema acomete principalmente as pernas de forma bilateral e preserva os pés.

Juliana Rangel: O sobrepeso pode piorar esse quadro?

Dra. Ellen Stocco: Sim. O excesso de peso aumenta a inflamação e faz com que os sintomas do lipedema fiquem ainda mais intensos.

Juliana Rangel: Outro assunto importante são os tratamentos para vasinhos. Muitas pessoas procuram pacotes promocionais sem sequer passar por uma avaliação.

Dra. Ellen Stocco: Isso merece bastante atenção. Hoje vemos muitos profissionais realizando procedimentos sem um estudo adequado da anatomia e da fisiologia vascular. Antes de qualquer tratamento, é fundamental fazer uma avaliação completa para entender a origem do problema e indicar a técnica correta.

Juliana Rangel: A tecnologia também mudou bastante nesses tratamentos, não é?

Dra. Ellen Stocco: Mudou muito. Hoje contamos com recursos como o esclerolaser, que oferece excelentes resultados e permite que a paciente praticamente não precise interromper sua rotina.

Juliana Rangel: Como costuma ser a recuperação?

Dra. Ellen Stocco: Nos tratamentos de vasinhos e pequenas veias, normalmente pedimos apenas 24 horas sem atividade física. Quando realizamos cirurgia de varizes menores, no dia seguinte a paciente já consegue voltar às atividades habituais. Apenas nos casos de retirada da veia safena orientamos cerca de uma semana de repouso relativo. Antigamente era muito mais demorado.

Juliana Rangel: Qual é a principal queixa das mulheres que chegam ao consultório?

Dra. Ellen Stocco: A estética ainda pesa muito. Muitas têm vergonha de usar vestido, shorts ou biquíni por causa das pernas.

Juliana Rangel: Eu mesma tinha muito medo da dor. Fiquei quase dez anos adiando o tratamento.

Dra. Ellen Stocco: Esse medo é muito comum, mas hoje os procedimentos evoluíram bastante. Utilizamos aparelhos com resfriamento que reduzem significativamente a ardência. Para pacientes mais sensíveis, também podemos administrar analgésicos antes do procedimento. O atendimento precisa ser feito com delicadeza para que a experiência seja a melhor possível.

Juliana Rangel: Doutora, adorei o bate-papo. Acho importante reforçar que o nosso objetivo aqui é sempre falar sobre saúde e bem-estar.

Dra. Ellen Stocco: Eu que agradeço pelo convite. Quanto mais mulheres conhecerem o lipedema e entenderem que ele tem tratamento, mais cedo elas poderão buscar ajuda e melhorar a qualidade de vida.

Ao final da entrevista, a Dra. Ellen Stocco reforçou que o lipedema é uma doença crônica e progressiva, mas que pode ser controlada com diagnóstico precoce, mudança de hábitos e acompanhamento especializado. Segundo a médica, observar sinais como dor, hematomas frequentes e desproporção nas pernas é o primeiro passo para procurar avaliação médica e iniciar o tratamento adequado.

Juliana Rangel
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