Bem-estar financeiro X endividamento recorde das famílias: especialista ensina como sair do vermelho e ter mais tranquilidade - Juliana Rangel

Bem-estar financeiro X endividamento recorde das famílias: especialista ensina como sair do vermelho e ter mais tranquilidade

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Índices apurados por diferentes entidades demonstram números crescentes de inadimplência e dívidas; planejamento e orientação especializada podem mudar o cenário

Quem conhece hoje André Sousa, atualmente consultor de investimentos e previdência, não imagina que no passado ele mesmo enfrentou desafios financeiros. Sem o gerenciamento correto da renda e nem mesmo ajuda técnica, chegou a ficar um tempo no vermelho. Mas essa realidade mudou e atualmente André ajuda cooperados do Sicoob Cooperac a superar entraves que afastam a prosperidade, seja das famílias ou das empresas. 

Fechar o mês no vermelho está cada vez mais comum. Segundo os dados da mais recente Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o percentual de famílias brasileiras endividadas voltou a crescer e alcançou 81,6%. Em maio de 2025, o índice era de 78,2%. 

FOTO: divulgação

Desde então, a pesquisa mostra uma trajetória praticamente contínua de crescimento, evidenciando o aumento da utilização do crédito pelas famílias brasileiras. O cartão de crédito continua sendo, de longe, a principal modalidade de dívida entre os consumidores. Em maio de 2026, ele estava presente em 84,6% dos lares endividados. Na sequência aparecem os carnês (16,1%), o crédito pessoal (13,1%), o financiamento de imóveis (10%), o financiamento de veículos (9,1%) e o crédito consignado (6,9%). 

André avalia que o crescimento do endividamento reflete o maior uso do crédito para manutenção do consumo e reorganização do orçamento doméstico diante do elevado custo de vida. Esse avanço contínuo exige atenção dos consumidores, especialmente em relação ao planejamento financeiro e ao uso consciente da renda e do crédito. “Muitas pessoas acreditam que investir é o primeiro passo para conquistar uma vida financeira mais tranquila, mas, na verdade, tudo começa com organização. Antes de pensar em aplicações, é fundamental entender para onde o dinheiro está indo, controlar os gastos e construir um planejamento compatível com a realidade de cada família”, explica.  

Para o consultor, quando existe educação financeira, disciplina e o apoio de uma instituição financeira que orienta de forma próxima e responsável, é possível sair do endividamento, recuperar o equilíbrio e, aos poucos, criar uma reserva, realizar objetivos e construir patrimônio com segurança. “Investir deixa de ser um sonho distante e passa a ser uma consequência de boas escolhas financeiras”, completa André Sousa. 

O conceito de bem-estar financeiro

Durante os atendimentos e treinamentos para cooperados, Sousa apresenta dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA). Uma das principais constatações é alarmante: o estresse financeiro atinge quase metade dos brasileiros e expõe impacto crescente das apostas online. 

Essas apostas online são um vilão cada vez mais cheio de apetite. Em 2025, 17% da população declarou ter realizado algum tipo de aposta pela internet. O perfil predominante é formado por homens (66%), com idade média de 35 anos e renda familiar mensal de aproximadamente R$ 5,4 mil. Entre os apostadores, 37% afirmam gastar R$ 100 ou mais por mês com essa atividade.

Outro dado alarmante do levantamento demonstra que um terço da população gasta mais do que ganha, enquanto 47% convivem com alto nível de estresse financeiro. Cenário impulsionado pelo comprometimento do orçamento doméstico, pelo aumento do endividamento e pela dificuldade de formar uma reserva de emergência. 

O estudo também identifica que o estresse financeiro atinge de forma mais intensa mulheres, pessoas entre 30 e 64 anos e integrantes das classes de menor renda. Entre aqueles classificados com alto estresse financeiro, 53% são mulheres e 39% pertencem às classes D e E. Segundo a ANBIMA, esse grupo apresenta menor capacidade de poupança, maior dificuldade para formar patrimônio e maior exposição ao endividamento.

André destaca que todos esses números reforçam a importância da educação financeira diante de um cenário em que o orçamento das famílias permanece pressionado. “O levantamento demonstra que, embora exista maior preocupação com o controle dos gastos, milhões de brasileiros ainda enfrentam dificuldades para equilibrar receitas e despesas, situação que afeta diretamente o bem-estar, a saúde mental e a capacidade de investir no futuro”, conclui. 

Como forma de ampliar o acesso à educação financeira, o Instituto Sicoob disponibiliza gratuitamente a plataforma Se Liga Finanças, com cursos online voltados para finanças pessoais, gestão financeira para microempreendedores individuais (MEIs) e investimentos. Os conteúdos são acessíveis, com linguagem simples, atividades práticas e certificado de conclusão, permitindo que qualquer pessoa desenvolva conhecimentos para organizar o orçamento, sair do endividamento e tomar decisões financeiras mais conscientes. 

Juliana Rangel
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